Hoje fui a um sítio onde ia muitas vezes há 30 e tal anos,
quando morava em Oeiras e trabalhava na Baixa de Lisboa e parava lá ao fim da
tarde a tomar uma cerveja antes de apanhar o comboio para casa, e onde já não
entrava para aí há uns 20 anos. Fui lá porque passei à porta e reparei que
tinha um letreiro – raro – de local para fumadores, estranhamente exclusivo
para fumadores, não tem área para não fumadores. O local é o British Bar, no
Cais do Sodré. Que continua igual ao que era há 30 e tal anos. Nos móveis e na
decoração, na grande variedade de cervejas e na permissão de fumar. Além disso
tem um prato do dia a preço de McDonalds que não me lembro se tinha ou não “in
illio tempore” e um serviço simpático mas pouco competente que tenho ideia que
já tinha. Enquanto lá estive fartei-me de rir (para dentro) com a cena de 3
pessoas, um homem obeso até à 5ª casa (metade do rabo dele ficava a transbordar
da cadeira) e duas mulheres, todos na faixa etária 40/50 anos, que entraram no
momento a seguir a eu ter entrado e foram lá almoçar. Pediram uma tábua de
queijos, dois pratos do dia e um prego no pão. Antes de lhes trazerem a tábua de
queijos trouxeram os pratos do dia. Eles passaram-se. Reclamaram que não fazia
sentido nenhum servirem-lhes o prato principal antes das entradas. A empregada pediu desculpa e
disse-lhes que não tinha problema, que cancelavam o pedido da tábua de queijos.
Mas o gordalhão não quis cancelar, nitidamente preferia comer os queijos ao
mesmo tempo ou depois do prato do que dispensá-los. E depois de uma grande
demora trouxeram o prego no pão que era para uma das fulanas. O prego estava
mal passado e ela achou que estava crú e pediu para o passarem melhor. O
empregado levou o prego. E passado um grande bocado voltou a trazê-lo ainda não
tão passado como a cliente pretendia. O empregado tentou convencê-la de que o
prego mais passado do que estava ia ficar uma porcaria. (E tinha razão, bife de
vaca super passado é mesmo uma porcaria, se aquela mulher só gosta de carne
esturricada devia abster-se de comer bifes de vaca). Mas ela não se convenceu e
lá voltou o prego para a cozinha. E quando eu saí ainda não tinha voltado para
a mesa. Vou (re) começar a ir lá tomar uma cerveja quando passar no Cais do
Sodré. Adorei.
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
COISAS DE QUE EU GOSTO - Procissão de Santo António
Decidi ir à procissão de Santo António quando descobri que é
mais uma procissão sui generis de Lisboa. Esta descoberta já aconteceu o ano
passado mas no dia da procissão estava a chover e ir meter-me por Alfama no
meio duma multidão de guarda-chuvas não se coadunava com os meus planos de ir
indo à frente da procissão e fotografando os santos de todas as igrejas da zona
que o Santo António vai buscando para integrar a sua procissão. Fui este ano. Em matéria de Santos a procissão
ganha por um à procissão da Senhora da Saúde. Em matéria de espectáculo fica
muito aquém. Mas tem graça. Santo António sai da sua igreja, recebe uma enorme
salva de palmas da multidão, e dirige-se à igreja de São João da Praça onde São
João da Praça (São João Baptista) se junta ao cortejo, continuam depois para a
igreja de São Miguel onde S. Miguel se junta à procissão que continua
serpenteando por Alfama. Santo Estevão vem ter com a procissão à rua nas
traseiras da sua igreja e entra também no cortejo. De seguida encontram-se com
São Vicente que vem da sua igreja até à Rua das Escolas Gerais para integrar a
procissão. E finalmente sai da sua igreja o São Tiago e integra também a procissão em
Santa Luzia. Cada imagem de santo que entra toma a dianteira da procissão. Todos
os santos, à excepção de Santo António, que é uma imagem muito grande e que é
transportado por um carro de bombeiros, e de Santo Estevão que é carregado por homens, têm os andores carregados por mulheres.
À frente, a abrir o cortejo, vão as lanternas e o turíbulo. Depois do desfile
de santos, com o Santo António a encerrar, segue o bispo, as autoridades civis
(o presidente da Câmara e alguns deputados municipais), uma banda de música, representantes de várias irmandades e um altifalante onde alguém vai
debitando rezas, e povo, muito povo (em quantidade de povo esta procissão também
ganha à da Senhora da Saúde) que vai
também rezando alto. Eu fui ver a saída do Santo António que inicia a procissão
e depois dei a volta por trás e fui sempre andando à frente da procissão até
todos os santos estarem integrados no cortejo. Nessa altura parei para ver toda
a procissão desfilar e depois integrei-a, junto com o resto do povo, até ela virar na Calçada do Correio Velho de
regresso à Igreja de Santo António pois para divergir do cortejo antes tinha de
dar uma grande volta para chegar à Baixa (que era para onde queria ir) e não me
apeteceu, já tinha ido a pé de casa para a procissão e caminhado meia
Alfama à frente da procissão.
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| Santo António sai da sua igreja |
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| São João da Praça sai da sua igreja |
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| São Miguel sai da sua igreja |
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| Santo Estevão aguarda a procissão |
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| São Vicente aguarda a procissão |
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| São Tiago aguarda a procissão |
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| Lanternas e turíbulo abrem a procissão já com todos os santos integrados no cortejo |
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| São Tiago na procissão |
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| São Vicente na procissão |
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| Santo Estevão na procissão |
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| São Miguel na procissão |
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| São João da Praça na procissão |
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| Santo António na procissão |
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| O Bispo seguido das autoridades civis |
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| E a banda de música |
sábado, 22 de agosto de 2015
quarta-feira, 15 de julho de 2015
COISAS DE QUE EU GOSTO - O à vontade dos putos
Num café, uma senhora que estava sentada ao balcão com duas crianças, um menino e uma menina, de uns 7 ou 8 anos, vem perguntar se eu estou para sair, para ficar atenta e vir ocupar a mesa onde estou sózinha logo que eu saia, pois ficou no balcão porque as mesas estão todas ocupadas mas preferia estar numa mesa. Eu estou, de facto, quase a sair mas digo-lhe que não precisa esperar que eu saia, que podem vir os três sentar-se ao pé de mim. Eles vêm. e os putos sentam-se primeiro, à minha frente, porque a senhora ainda fica para trás a trazer do balcão para a mesa o que eles estavam a comer e beber. O menino, assim que se senta, no lugar mesmo à minha frente, diz-me, olhando para mim olhos nos olhos e tratando-me por tu, como se eu fosse uma velha conhecida, "Sabes?!? Eu tenho um traumatismo craniano.", respondi-lhe "Como fizeste isso? Bateste com a cabeça onde?" e ele "Caí das cavalitas de um amigo." Entretanto a senhora também se sentou e eu disse-lhe "Ele contou-me que fez um traumatismo craniano, é a aventura do dia dele." Ele corrigiu-me logo o "fez", "Eu TENHO um traumatismo craniano, ainda tenho!". Conversei mais um pouquinho, também com a senhora, que também se mostrou à vontade para conversar com uma desconhecida, e depois fui embora. Mas adorei aquele à vontade, que eu também tenho, embora tenha 8 anos mais 50, mas que a maior parte dos adultos não tem. Já por várias vezes ofereci a mesa onde estou sózinha a desconhecidos que estão à espera e depois, para não ficarmos todos calados numa situação desconfortável para quem está a partilhar uma mesa, sou eu quem tem de puxar conversa. E se por vezes depois de eu "puxar" a conversa flui, outras vezes nem eu "puxando", fica mesmo incómodo e eu fico com vontade de dizer às pessoas que "desofereço" a mesa! Nunca disse mas ainda alguma vez vou dizer...
terça-feira, 23 de junho de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
DE PASSAGEM - A rua de trás
Fui e voltei a pé de casa (zona da Alameda) à Avenida da Liberdade, bem lá em baixo, quase nos Restauradores. Não é a primeira vez que faço a pé um trajecto tão grande, faço várias vezes este e outros, adoro caminhar, o meu "meio de transporte" preferido é ir a pé, e é o que faço nas minhas deslocações desde que tenha tempo, não esteja carregada, e o tempo atmosférico esteja ameno. Caso de hoje. Mas hoje decidi ir sempre pela "rua de trás", ou seja, em vez de seguir pelas ruas principais fui sempre, o mais possível, por ruas e ruelas secundárias onde raramente passo, ou mesmo, algumas, onde nunca tinha passado. E foi uma descoberta. Desde restaurantes e tascos aos montes com comida super baratinha, até lojas com roupa 100% algodão (uma raridade hoje em dia com a moda dos "elastanos" e quejandos que eu abomino e nem sequer consigo usar em contacto com a pele porque me fazem alergia) barata e gira, a ruas super engraçadas, diferentes, passando por prédios bonitos, encontrei de tudo. Vou passar a fazer sempre os meus trajectos pela "rua de trás".
domingo, 8 de março de 2015
COISAS DE QUE EU GOSTO - Resquícios do passado - 2
Outro resto de uma antiga quinta, Quinta das Ameias ou Casal Vistoso. O Bairro construído em volta desta ruína mantém o nome Casal Vistoso. Na Avenida Afonso Costa.
domingo, 1 de março de 2015
COISAS DE QUE EU GOSTO - Resquícios do passado - 1
A zona conhecida por Alto do Pina, na cidade de Lisboa, era no século XIX (como aliás muitas outras zonas) arredores da cidade, ocupados por quintas das quais sobram actualmente alguns resquícios e referências na toponímia.
É o caso da Rua dos Baldaques (na zona da antiga Quinta da família Baldaque, popularmente chamada de quinta das Baldracas) onde, além do nome, ainda há também resquícios de campo, que se estende pelas traseiras dos prédios das ruas perpendiculares até à paralela Alameda Afonso Henriques, com alguns pedaços cuidados por moradores da zona. Nesta época do ano tem uma amendoeira em flor, que é provável que não seja um resto da quinta - ao contrário das várias oliveiras bem anosas que certamente são - mas que é linda.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
COISAS DE QUE EU GOSTO - O comboio presidencial
Esteve em exposição ontem durante a tarde na estação do Cais do Sodré, pelas comemorações dos 100 anos da Linha de Cascais, depois de ter estado exposto em Cascais durante a manhã e ter viajado de Cascais para Lisboa com convidados. De acordo com o folheto entregue aos visitantes três das carruagens eram já utilizadas como Trem Real nos finais do século XIX. Em 1910 passou a designar-se Comboio Presidencial. Em 1930 foi acrescido de mais uma carruagem e em 1940 foi renovado e acrescido de mais duas carruagens, foi novamente renovado em 1957 e manteve-se em actividade até 1970. Foi agora integralmente recuperado conforme era em 1970, incluindo a reprodução de alguns objectos em falta, pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário e pelo Serviço de Conservação e Restauro do Museu Nacional Ferroviário.
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